DeFi: Segurança, Autonomia e Rentabilidade em Relação aos Investimentos Tradicionais
- Filipe Arouck
- 5 de jul. de 2024
- 9 min de leitura

Há anos atuando no mercado financeiro, decidi ceder e me aventurar no mundo das finanças descentralizadas. Nesta imersão, descobri um universo pouco explorado que não apenas me abriu os olhos para investimentos via blockchain, mas também me mostrou como podemos ser verdadeiramente livres. Existe um grande preconceito por parte de profissionais de mercado em relação ao mundo das criptomoedas. Como muitos pensadores já sugeriram, "o que o homem não entende, ele teme; e o que ele teme, ele tende a destruir." Comigo não foi diferente. Negligenciei e condenei qualquer possibilidade de consolidação deste mercado sem ao menos entender seu funcionamento. Esse medo do desconhecido impede muitos de verem o potencial revolucionário das finanças descentralizadas. É natural resistirmos ao novo, pois o desconhecido pode gerar incerteza e desconforto. No entanto, é justamente no desconhecido que encontramos oportunidades únicas de transformação e crescimento. Em um mercado tradicional cada vez mais saturado e limitado pelas regras impostas por intermediários, o DeFi se destaca como uma alternativa que oferece não apenas melhores retornos, mas também maior segurança e transparência. Ao explorar as possibilidades On-Chain, percebi que essa inovação não é apenas sobre ganhar dinheiro, mas sobre empoderar indivíduos e devolver-lhes o controle sobre suas próprias finanças. Minha intenção com este artigo é explorar como o DeFi pode ser vantajoso em relação aos investimentos tradicionais e por que esse novo paradigma financeiro é mais do que apenas uma moda passageira – é o futuro das finanças.
Entendendo o DeFi: As Finanças Descentralizadas, ou DeFi, referem-se a um sistema financeiro que opera sem intermediários centralizados, como bancos ou corretoras. Utilizando contratos inteligentes em blockchain, o DeFi facilita transações financeiras de forma automática e segura. Para entender por que o DeFi é seguro e eficiente, é crucial compreender a tecnologia subjacente, a blockchain.
A blockchain é um livro-razão distribuído que registra todas as transações de forma transparente e imutável. A segurança da blockchain vem de sua natureza descentralizada, onde o livro-razão é mantido por vários nós (computadores) ao redor do mundo, dificultando fraudes. Vamos destrinchar sobre ela:
Descentralização: A segurança da blockchain vem principalmente de sua natureza descentralizada. Em uma rede descentralizada, não há um único ponto de falha. Em vez disso, o livro-razão é distribuído por vários nós (computadores) em todo o mundo. Cada nó mantém uma cópia completa do livro-razão e valida as transações. Isso significa que, para comprometer a rede, um atacante precisaria controlar mais de 50% dos nós, o que é extremamente difícil e caro de realizar, especialmente em redes grandes como a Ethereum ou Bitcoin.
Criptografia: A blockchain usa criptografia avançada para proteger as transações. Cada bloco é vinculado ao anterior por meio de um hash criptográfico. Um hash é uma sequência de caracteres gerada a partir dos dados da transação, e qualquer alteração nos dados resultaria em um hash completamente diferente. Isso torna a blockchain imutável, pois qualquer tentativa de alterar uma transação existente invalidaria todos os blocos subsequentes.
Transparência: Todas as transações são públicas, permitindo auditoria e verificação por qualquer pessoa, o que dificulta a ocultação de atividades fraudulentas. Através do site Mempool, por exemplo, podemos checar todas as transações que ocorreram na rede Bitcoin em determinado bloco, até mesmo quanto foi pago de taxa. É claro que não necessariamente sabemos quem está por trás daquela movimentação ou quem é o dono da carteira, mas podemos auditar e validar as transações.
Detalhes de uma transação registrada em um bloco na rede Bitcoin
Contratos Inteligentes: Os contratos inteligentes são programas autoexecutáveis que operam na blockchain. Eles executam automaticamente as instruções codificadas quando as condições pré-determinadas são atendidas. Isso elimina a necessidade de intermediários, reduz custos e minimiza o risco de erro humano.
A blockchain não é o futuro, ela é o presente. Pessoas e empresas que não usufruírem desta ferramenta ficarão para trás, pois inevitavelmente fará parte de suas vidas. E se ainda não está claro como trata-se de uma tecnologia revolucionária, considere este exemplo: o governo brasileiro está utilizando blockchain para a emissão da nova carteira de identidade nacional. Ou este que diz sobre a blockchain ser uma das maiores invenções da humanidade.
Bom, isto tudo foi um grande parênteses para introduzir o principal tema e validar a segurança da tecnologia onde é constituída o DeFi. Porém, seria imprudência da minha parte falar sobre DeFi e não falar sobre seus reais riscos, afinal eles existem e não são poucos. Mas isso será assunto para meu próximo artigo, onde abordarei sobre os riscos ao operar On-chain e quais medidas devem ser tomadas para minimizá-los. Hoje o foco é explorar a rentabilidade consistente que se pode obter com DeFi mesmo estando num ambiente inerente ao chamado Risco de Mercado.
Liberdade da autocustódia: Antes de partir para o principal tema que é a rentabilidade, em respeito aos leitores inexperientes, preciso fazer um disclaimer importante e falar sobre a autonomia proporcionada com as finanças descentralizadas. É fundamental entender os conceitos de autocustódia, criptomoedas e stablecoins, que são a base deste ecossistema financeiro.
No DeFi o usuário tem total autonomia sobre o que é seu. Investidores mantêm a custódia de seus próprios ativos, diferentemente do sistema financeiro tradicional onde os bancos e corretoras mantêm e gerenciam seus investimentos. Com a autocustódia, os investidores utilizam carteiras digitais para armazenar e gerenciar suas criptomoedas. Estas carteiras podem ser hardware wallets (físicas) ou software wallets (aplicativos ou extensões de navegador). Pretendo também escrever sobre como iniciar a autocustódia e detalhar sobre carteiras físicas e digitais.
Para acessar as finanças descentralizadas, você precisará ter a custódia de criptomoedas. As criptomoedas são ativos digitais que utilizam criptografia para garantir transações seguras e controlar a criação de novas unidades. Elas funcionam como dinheiro digital e são essenciais para operar dentro do ecossistema, permitindo a troca, o empréstimo e outras operações financeiras diretamente entre usuários, sem intermediários. No DeFi, os tokens mais comuns incluem Ethereum (ETH) e tokens específicos de protocolos DeFi como UNI (Uniswap) e COMP (Compound). Embora o Bitcoin (BTC) seja a criptomoeda mais conhecida, no DeFi, utiliza-se frequentemente o Wrapped Bitcoin (WBTC), que é uma versão tokenizada do Bitcoin compatível com a blockchain Ethereum, visto que a rede Ethereum foi desenhada para ter os contratos inteligentes e nela que ocorre a maior parte do DeFi.
As Stablecoins são um tipo de criptomoeda projetada para ter um valor estável, geralmente atrelado a um ativo de reserva como o dólar americano (USD). Exemplos incluem USDT (Tether), USDC (USD Coin) e DAI. Ou seja, 1 USDT tende a valer próximo de 1 USD. As stablecoins são amplamente utilizadas no DeFi para facilitar transações, fornecer liquidez e minimizar a volatilidade associada a outras criptomoedas.
Bom, isto posto, podemos falar sobre as formas de se rentabilizar com DeFi.
Não é novidade que o mercado de criptomoedas é extremamente volátil e comumente associado a risco excessivo. Os preços das criptomoedas podem variar drasticamente em curtos períodos, o que pode ser uma fonte significativa de ganho, mas também de perda. Esse cenário de volatilidade, na minha opinião, é o que mais afasta investidores que estão acostumados com o mercado tradicional. Por isso, muitos adeptos das finanças descentralizadas buscam alternativas para obter renda passiva além da simples valorização dos ativos. No DeFi, essas alternativas incluem Pools de Liquidez, Yield Farming e Staking que oferecem oportunidades de remuneração estável, mesmo em mercados voláteis.
Pools de Liquidez: Neste artigo vou explorar a espinha dorsal do DeFi. As Pools de Liquidez são conjuntos de tokens bloqueados em um contrato inteligente que facilitam a troca de ativos em exchanges descentralizadas (DEXs). Essas pools são essenciais para o funcionamento das DEXs, pois fornecem a liquidez necessária para que os usuários possam trocar tokens de forma eficiente sem a necessidade de uma contraparte direta. Falei grego? Calma, vou facilitar.
Imagine uma casa de câmbio tradicional onde você pode trocar dólares por euros. Na casa de câmbio, você dá seus dólares ao atendente e recebe euros em troca. O atendente mantém um estoque de dólares e euros para facilitar essas trocas. No contexto do DeFi, as pools de liquidez funcionam de maneira similar. Em vez de um atendente humano, temos contratos inteligentes que gerenciam o processo de troca. Os usuários (provedores de liquidez ou LPs) depositam pares de tokens (por exemplo, ETH e USDC) na pool. Esses tokens servem como o estoque de moedas na casa de câmbio. Quando alguém deseja trocar ETH por USDC, eles usam a pool de liquidez, e àqueles que estão fornecendo a liquidez recebem uma parte das taxas de transação geradas por essa troca.
Para participar destas pools de liquidez, você precisa acessar plataformas DeFi através de aplicativos descentralizados, conhecidos como dApps.
dApps são aplicações que funcionam em redes blockchain, como Ethereum, e permitem que você interaja diretamente com contratos inteligentes sem a necessidade de intermediários. O principal deles é a Uniswap, uma das plataformas mais populares para pools de liquidez. Os LPs (Liquidity Provider) fornecem pares de tokens para pools de liquidez e, em troca, recebem uma parte das taxas de transação geradas pelas trocas que utilizam esses pools.
Veja uma simulação:
Simulação de criação de uma pool de liquidez via Uniswap
Essa se trata da pool de maior liquidez do DeFi. Aqui, quem está provendo a liquidez dita as regras estipulando parâmetros para que sua pool possa ser acessada.
Considerando o exemplo, usuários fornecem um pouco de seus ETH e USDC para liquidez de mercado. O LP deve definir um range de preços no qual deseja fornecer liquidez. No caso da pool ETH-USDC, um LP pode definir um range mínimo de 3000 USDT e um range máximo de 4000 USDT. Isso significa que o LP estará fornecendo liquidez apenas enquanto o preço do Ether estiver entre 3000 e 4000 USDT. Caso o preço do ativo base oscile e passe a ser cotado a 4001 USDT significa que o provedor de liquidez, nesta pool, não receberá taxa, pois os padrões estabelecidos o deixaram fora do range. Neste caso ele pode esperar o ETH desvalorizar de modo que volte parâmetros estabelecidos ou encerrar a pool.
Ranges de preços mais amplos geralmente resultam em menores ganhos, pois a liquidez é fornecida por mais tempo e em uma faixa mais extensa. Em contraste, ranges de preços mais estreitos significam que o LP recebe taxas maiores, pois a liquidez é fornecida em uma faixa de preço mais restrita e precisa.
Os diferentes pares de tokens escolhidos para fornecer liquidez em pools não pagam as mesmas taxas, e essas taxas podem variar significativamente entre diferentes blockchains. Por exemplo, enquanto pares mais comuns como ETH/USDC podem oferecer taxas competitivas e mais previsíveis, pares exóticos, como aqueles envolvendo tokens de menor capitalização ou menos populares, podem oferecer taxas mais altas para atrair provedores de liquidez, devido ao maior risco e menor liquidez.
Veja alguns exemplos reais de taxas geradas em pools de liquidez compartilhada em uma comunidade DeFi:
Por 30 dias este usuário ofereceu liquidez na rede Arbitrum utilizando o par ETH-WBTC, isso significa mais de 3% ao período.
Neste par exótico composto por memecoin, em 3 dias o LP retirou mais de 3% em taxas.
Nestes exemplos foram utilizados pelo menos um ativo de natureza volátil. Mas e quem não quer correr este risco de mercado?
Existe a possibilidade de prover liquidez apenas com stablecoins, diminuindo quase a zero a chance de impermanent loss - a perda temporária de valor que ocorre quando os preços dos tokens depositados em uma pool de liquidez variam em relação ao momento do depósito. Pares estáveis como USDT-USDC naturalmente tendem a render menos taxas, entre 1% e 3% ao mês, e em um mês excelente, até 5%. Convenhamos, você não terá esse retorno através do mercado tradicional, pelo menos não sem correr riscos excessivos. No entanto, é importante lembrar que mais retorno exige mais risco; e mais risco não necessariamente implica em mais retorno.
No Brasil, ativos de risco muitas vezes não pagam o prêmio pelo risco assumido. Investidores que optam por ações de alta volatilidade ou outros ativos de risco frequentemente acabam obtendo retornos que não superam o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), a taxa de referência para investimentos de baixo risco. Nos últimos anos, temos observado que a performance de muitos desses ativos não compensa o risco adicional, com investidores frequentemente perdendo em rentabilidade para o CDI.
É claro que muitas lacunas precisam ser preenchidas, dúvidas sobre os riscos possivelmente surgiram durante sua leitura, mas apenas um artigo não é o suficiente para explanar detalhadamente. Além das pools, pretendo falar sobre Airdrops, Staking e Yield Farming. Bem como os aplicativos de Lending, onde usuários estão utilizando estratégias para comprar Bitcoin e Ether sem dinheiro novo.
O DeFi, na minha opinião, está desafiando o status quo do sistema financeiro tradicional. No entanto, como qualquer investimento, é essencial que os investidores façam sua devida diligência e compreendam os riscos envolvidos. Todas as informações apresentadas aqui refletem apenas minhas opiniões pessoais, baseadas em estudos e experiências no mundo das Finanças Descentralizadas. Como é dito no mercado cripto: DYOR (Do Your Own Research).
O futuro das finanças pode muito bem ser descentralizado, e os investidores que abraçarem essa mudança podem colher os benefícios. Se você se interessou por este tópico e deseja aprender mais sobre DeFi, convido você a visitar meu blog: descentralizando.com.br. Nele, postarei regularmente artigos detalhados, análises e tutoriais que refletem minhas opiniões sobre DeFi e outros assuntos relacionados. Meu foco será criar uma comunidade gratuita onde possamos aprender juntos, compartilhando ideias e experiências.
Estou animado para compartilhar esta jornada. Acesse o blog, inscreva-se e participe da criação de uma comunidade de investidores informados e verdadeiramente livres. Vamos juntos explorar o futuro descentralizado das finanças.










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